Lista:

1 Resíduos celulósicos da cana de açúcar
1.1 Origem e histórico da cana de açúcar
1.2 Estatísticas
1.3 Cultivo da cana de açúcar
1.4 Custos de produção
1.5 Processamento da cana e caracterização da biomassa residual
1.6 Disponibilidade e caracterização da biomassa residual
1.7 Zoneamento da cana de açúcar
1.7.1 Zoneamento Agroambiental da cana de açúcar no Estado de São Paulo
1.7.2 Zoneamento Agroecológico da Cana de açúcar
1.8 Aspectos controversos
1.9 Organizações relevantes
2 Referências bibliográficas
 

1.  Resíduos celulósicos da cana de açúcar

1.1. Origem e histórico da cana de açúcar

A cana de açúcar é uma planta semiperene com ciclo fotossintético do tipo C4[1], pertencente ao gênero Saccharum. A parte aérea da planta é composta pelos colmos, nos quais se concentra a sacarose, e pelas pontas e folhas, que constituem a palha da cana (Figura 1).

Embora ainda não se saiba ao certo a época ou o local do início da cultura no mundo, a maior parte dos historiadores sugere que tenha ocorrido entre 10 e 12 mil anos atrás. Por volta de 800 a.C. a cana foi introduzida na China, e o açúcar cru já era produzido em 400 a.C., embora só a partir de 700 d.C. a sua comercialização tenha se iniciado (UNICA, 2007 apud Seabra, 2008).

Fonte: BNDES e CGEE (2008)

Figura 1: Estrutura típica da cana de açúcar.

A cana chegou ao Brasil no início do século XVI, com a Saccharum officinarum L., trazida da Ilha da Madeira, sendo reconhecida como nobre ou tropical, caracterizada pelo seu alto teor de açúcar, porte elevado, colmo grosso e pouco teor de fibras, sendo cultivada nos três primeiros séculos da colonização (Lima, 1984).

A substituição por híbridos do gênero Saccharum se deu em função da necessidade de maiores usos, o que levou cultivares dessa espécie a sofrer com doenças, pragas e falta de adaptações ecológicas (Fahl et al., 1998). Atualmente, a cana comercial é um híbrido multiespecífico, que recebe a designação Saccharum spp.

Para permitir a máxima produtividade, o Brasil conta atualmente com centenas de variedades de cana, sendo importante que cada produtor selecione aquelas que melhor se adaptam às condições locais, procurando sempre minimizar os riscos em relação às doenças e pragas (Marin, s.d.). Essas variedades são produzidas principalmente por três programas de melhoramento genético: o da Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcoleiro (RIDESA, ex Planalsucar, com variedades RB), o do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC, ex Centro de Tecnologia da Copersucar, com variedades SP), e mais recentemente do Instituto Agronômico de Campinas (variedades IAC).

Há cerca de 30 anos a variedade mais plantada ocupava mais de 40% da área nacional e, em 2005, as oito variedades mais significativas somaram 60% da área plantada (Paes, 2005). Já em 2017, no entanto, a variedade predominante na região Centro-Sul, ocupou 27% da área recenseada pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC, 2017). Não obstante, o censo também verificou uma redução da concentração varietal, o que significa uma ampliação da diversificação genética e adoção de materiais mais modernos, contribuindo para a estabilidade da cultura diante de epidemias, uma vez que a diversificação genotípica cria uma barreira para os surtos epidêmicos.

Um aspecto importante é a recente aprovação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) do uso comercial da primeira cana geneticamente modificada (Cana Bt). A nova variedade (CTC 20 Bt) tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura. A variedade precisa ainda ser avaliada e registrada pelo Ministério da Agricultura, e se estima em cerca de três anos o tempo necessário para o seu cultivo comercial, uma vez que as usinas precisarão de tempo para reproduzir as mudas (NovaCana, 2017).

1.2. Estatísticas

Nas últimas quatro décadas a produção de cana no Brasil passou por três ciclos de expansão. A concorrência acirrada no mercado mundial de açúcar e a insegurança em relação ao abastecimento mundial do petróleo, com duas crises graves nos anos 1970, levaram o Brasil a ampliar a produção do álcool combustível, dando o primeiro grande impulso à produção de cana. Entre 1975 e 1985, a produção de cana no Brasil praticamente triplicou, principalmente em função do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), estabilizando a produção no patamar de 220 milhões de toneladas (Mt) entre 1985 e 1995. Um segundo ciclo de expansão agrícola se iniciou motivado basicamente pela exportação de açúcar, a qual saltou de 1,2 Mt para 19 Mt em 2006. Finalmente, o terceiro ciclo de expansão veio com o aumento da produção de etanol decorrente da introdução dos veículos flex em 2002. Nas últimas safras as produções de etanol e cana oscilaram em torno de 28 hm³ e 650 Mt, respectivamente, mas os produtores esperam que a recém sancionada Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) possa conduzir o país a um novo ciclo de expansão.

A região produtora de maior destaque é a Centro-Sul, com mais de 90% da produção, sendo São Paulo responsável por mais da metade da produção. A região Centro-Oeste tem sido a principal fronteira de expansão ao longo da última década. Em termos de área plantada, no início do Proálcool a cana de açúcar ocupava menos de 2 milhões de hectares (Mha), saltando para 10,9 Mha em 2015, com uma área colhida de 9,7 Mha (UNICA, 2017). Nesse período, a produtividade passou de aproximadamente 45 para 80 t/ha. Nos últimos dez anos, conforme ilustra a Figura 2, até mesmo uma leve tendência de queda da produtividade foi observada, com valores oscilando ao redor das 75 t/ha.

Fonte: Elaborado a partir de MAPA (2017)

Figura 2: Evolução da produtividade de cana.

 

1.3. Cultivo da cana de açúcar

O clima ideal para o cultivo da cana deve apresentar duas estações, uma quente e úmida, para a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para promover a maturação e consequente acúmulo de sacarose nos colmos. Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade de retenção são os ideais para a cana de açúcar que, devido à sua rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis, como os de cerrado. Solos rasos ou mal drenados não são indicados para a cana de açúcar (BNDES e CGEE, 2008).

O ciclo completo da cana de açúcar é variável dependendo do clima local, variedades, e práticas culturais; no Brasil, é geralmente de seis anos, com o primeiro corte feito em 12 ou 18 meses após o plantio (cana-planta). Os demais cortes, quando se colhe a chamada cana soca, são feitos uma vez por ano, ao longo dos quatro anos consecutivos, com redução gradual da produtividade.

Para o plantio da cana de açúcar buscam-se talhões planos entre 10 a 20 hectares, com linhas com grande comprimento, evitando-se assim manobras das máquinas e otimizando operações mecanizadas. O plantio da cana pode ser efetuado manualmente ou mecanicamente, sendo requeridos em média de 10 a 15 toneladas de mudas por hectare (Rossetto & Santiago, s.d.). O espaçamento entre mudas varia de 1 a 1,8 metro, de acordo com a fertilidade do terreno e as características da variedade.

A cultura pode ser plantada em três épocas diferentes: entre janeiro e março para o sistema de ano-e-meio, que possibilita uma rápida brotação e reduz incidência de doenças; entre outubro e novembro, no sistema de ano, que permite custos menores de maquinários, mas acarreta em menor produtividade; e entre junho e julho, o plantio de inverno, que utiliza a torta de filtro para garantir a umidade para a brotação (Rossetto & Santiago, s.d.).

Por conta dos diferentes regimes de chuvas, a colheita da cana ocorre em períodos distintos. No Centro-Sul, as precipitações ocorrem de setembro a fevereiro, fazendo com que o período de colheita se concentre nos meses de abril/maio a novembro/dezembro. Já no caso da região Nordeste, como o período de chuvas é de junho a julho, a colheita é feita no período de agosto/setembro a março/abril.

O sistema tradicional de colheita de cana no Brasil costumava ser o manual com a queima prévia do canavial. Entretanto, nos últimos dez anos houve uma rápida transição para o sistema de colheita mecanizada sem queima, em face aos cronogramas estabelecidos pela legislação e em acordos entre produtores e governo. Na região Centro-Sul, devido ao seu relevo favorável, a colheita mecanizada já ultrapassou 95% da área total (Conab, 2017).

Uma vez colhida, a cana é transportada rapidamente para a usina para evitar perda de sacarose. Usualmente, o sistema de transporte é baseado em caminhões, tendo distâncias de transporte relativamente pequenas. A logística da cana, envolvendo operações integradas de corte, carregamento e transporte, vem passando por uma contínua evolução, para reduzir os custos e diminuir a compactação do solo (BNDES e CGEE, 2008). Ademais, por conta do aumento da colheita mecanizada de cana crua (sem queima), uma quantidade crescente de material lignocelulósico (palha), que antes era eliminada, tem ficado disponível no campo. Embora a manutenção da palha sobre o solo traga benefícios agronômicos, a recuperação de parte desse material para eventuais usos industriais também tem sido alvo de investigação.

 

1.4. Custos de produção

Cerca de 60% da cana processada é cultivada pela própria usina de açúcar e álcool, quer seja em terras próprias ou arrendadas, enquanto que os 40% restantes são fornecidos por produtores independentes (SugarCane, 2017). Dentre os custos operacionais, merece destaque o custo de corte, carregamento e transporte (CCT), assim como o plantio (Tabela 1), para os quais são usualmente preponderantes as contribuições relativas à mão de obra. Os custos de produção da cana nas áreas de expansão é normalmente menor do que nas áreas tradicionais do Centro-Sul e, principalmente, do Nordeste (Figura 3). Entre as safras de 2009/10 e 2013/14, observou-se um aumento significativo dos custos de produção, em grande parte fruto da elevação dos preços dos agroquímicos e da queda da produtividade (em decorrência de questões econômicas e climáticas).

Tabela 1: Custos da produção agrícola da cana de açúcar no Brasil.a

Atividade US$/ha US$/t cana
Plantio 428 5,9
Trato de cana planta 34 0,5
Soqueiras 394 5,4
Colheita e transporte 853 11,8
Terra 592 8,1
Administração 87 1,2
Capital 134 1,8
Total 2.537 34
a Fonte: CTBE (s.d.).

Figura 3- Custos da produção de cana de açúcar própria da usina em R$/toneladas, Fonte: PECEGE, 2014

 

No caso da cana de terceiros, a usina compra a cana do fornecedor, remunerando-o a um determinado preço por tonelada. Em muitos estados, os produtores são remunerados de acordo com a qualidade da cana que fornecem, conforme o sistema de pagamento pelo teor de sacarose (PCTS). Em São Paulo, utiliza-se o Método Consecana-SP de pagamento de cana com base no ATR, ou seja, o teor de açúcares recuperáveis da cana. Basicamente, o Método Consecana de pagamento de cana baseia-se no faturamento obtido pela unidade industrial com os produtos (açúcar e etanol), por tonelada de cana, e através da participação estimada do custo de produção da cana no custo total (industrial + cana), determina uma parcela do faturamento total destinado ao pagamento do fornecedor. Trata-se de uma metodologia sugerida, e a sua adoção fica a critério das partes envolvidas, que ainda podem adaptá-la conforme julgarem necessário.

 

1.5. Processamento da cana e caracterização da biomassa residual

Os principais produtos da agroindústria canavieira no Brasil são o açúcar, que atende o mercado de alimentos, o álcool anidro, usado como combustível adicionado à gasolina, e o álcool hidratado, que atende à parcela de carros movidos exclusivamente a álcool ou multi-combustíveis (flex), além de um pequeno mercado de usos não energéticos. Atualmente há 366 usinas de cana de açúcar cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Mais de 2/3 das instalações são usinas de açúcar com destilarias anexas (que produzem açúcar e álcool), seguidas por um grande montante de destilarias autônomas (mais de 1/4) e algumas poucas unidades de processamento exclusivo de açúcar (menos de 5%). Geograficamente, a distribuição dessas usinas acompanha a concentração dos canaviais, dada a perecibilidade da cana.

A capacidade média de processamento das usinas é de cerca de 2 Mt cana por ano, mas com uma variação ampla, de menos de 1 a mais 8 Mt/ano. Usualmente, as usinas operam somente durante a safra de cana (180 a 210 dias por ano), num regime de 24 horas por dia e sete dias por semana. Uma tendência recente, no entanto, tem sido a extensão do período de operação de algumas unidades por conta da exportação de energia elétrica para a rede. Há ainda iniciativas pontuais de uso de outras matérias-primas (e.g., milho) para aumentar o aproveitamento da capacidade instalada para a produção de etanol.

O processamento da cana nas usinas começa tipicamente com o preparo e extração do caldo, através de moendas ou difusores. No processo, o caldo (que contém os açúcares da cana) é separado da fibra (principal componente da matéria seca do bagaço) e destinado à produção de açúcar ou etanol. Já o bagaço separado na extração é enviado para a planta de energia da usina, para ser utilizado como combustível na caldeira.

A produção de açúcar e álcool é muito intensiva no uso de energia, principalmente com relação à parcela térmica. Em média, o consumo das usinas é de aproximadamente 330 kWh/t cana de energia térmica (equivalente a 500 kg de vapor por tonelada de cana), além dos 28 kWh/t cana de energia eletromecânica. O suprimento dessa energia fica a cargo da planta de cogeração, a qual é constituída de caldeiras a bagaço e turbinas a vapor. Em geral, as usinas são autossuficientes em energia – consumindo essencialmente todo o bagaço disponível –, mas tem sido crescente o investimento na eficiência de geração e uso de energia para permitir a oferta de excedentes de eletricidade à rede. Em cerca de dez anos, o setor sucroalcooleiro triplicou a exportação média de eletricidade, superando os 30 kWh/t cana em 2016. O potencial, no entanto, é muito maior. Através de tecnologias comerciais é possível atingir índices de exportação superiores a 60 kWh/t cana utilizando somente bagaço como combustível, mas valores muito superiores podem ser alcançados no caso do uso da palha como combustível suplementar (Walter et al., 2014).

Entretanto, é importante destacar que outros potenciais usos do material lignocelulósico da cana também deverão se tornar realidade comercial no futuro próximo (e.g., conversão em combustíveis líquidos). Independentemente disso, os investimentos em eficiência na usina serão essenciais para aumentar a disponibilidade de bagaço e palha para qualquer que seja a aplicação pretendida.

 

1.6. Disponibilidade e caracterização da biomassa residual

A principal biomassa residual disponível nas usinas é o bagaço, constituído de fibra (46%), água (50%) e sólidos dissolvidos (4%). Usualmente, a produção total de bagaço na usina situa-se na faixa de 240 a 280 kg (50% de umidade) por tonelada de cana moída (Leite, 2005). Como mencionado acima, praticamente todo o bagaço é consumido internamente como combustível, de modo que a disponibilidade de excedentes para outras aplicações é bastante limitada. Todavia, com o emprego de plantas de cogeração mais eficientes e a redução do consumo de vapor nos processos, é possível disponibilizar até a metade do bagaço total produzido (Hassuani et al., 2005).

A palha constitui outra relevante biomassa residual da cana. A disponibilidade de palha no campo é função da variedade de cana, estágio de corte, entre outros fatores, mas um valor médio frequentemente empregado é de 140 kg (matéria seca) por tonelada de cana (colmo) (Hassuani et al., 2005). Parte desse material já é transportada com os colmos até a usina na forma de impureza vegetal, e a tendência é que a taxa de recolhimento aumente significativamente. Entretanto, ainda não há uma indicação sobre qual a quantidade mais adequada a ser recolhida, nem a melhor rota de recuperação. Estudos de uso potencial da palha frequentemente assumem taxas de recolhimento arbitrárias entre 30% e 70%.

Já sobre a rota de recolhimento, a opção economicamente mais interessante estudada por Hassuani et al. (2005) foi a colheita da cana com a limpeza parcial da palha, deixando uma parte no solo para atuar como cobertura vegetal. Neste caso, o custo da palha foi estimado em cerca de 30 R$/t (massa seca – ms), ao passo que a pior alternativa apresentou um custo superior a 60 R$/t (ms). Naturalmente, esses custos são válidos para as condições adotadas naquele estudo, e contextos particulares de diferentes usinas e níveis variados de recuperação podem levar a impactos significativos nos valores finais.

Para efeitos da DBMS, a disponibilidade de biomassa residual da cana foi estimada conforme apresentado na Tabela 2. Adotou-se uma produção total de bagaço de 130 kg (matéria seca) por tonelada de cana, dos quais 115 kg seriam consumidos internamente (Leite, 2005). Já no caso de uma configuração avançada, foi assumida a adoção de uma planta de cogeração mais eficiente, além da redução do consumo de vapor nos processos (para cerca de 350 kg/t cana), o que levaria a uma redução do consumo de bagaço para aproximadamente 80 kg (ms)/t cana. Para a palha, partiu-se da disponibilidade total no campo, descontando-se a necessidade de manutenção de 7,5 t/ha para garantir benefícios agronômicos.

Tabela 2. Estimativa de disponibilidade de biomassa residual da cana.a

Biomassa Total produzido Utilizadob Disponível
Bagaço 130 115c 15
80d 50
Palha 140 95e 45
a Em kg matéria seca por tonelada de cana.

b Bagaço utilizado principalmente para atender a demanda de energia dos processos. No caso da palha, considerou-se a quantidade a ser mantida no solo para garantir benefícios agronômicos.

c Usina com configuração tradicional.

d Usina com configuração avançada.

e Assumindo a manutenção de 7,5 t/ha e produtividade de cana de 80 t/ha.

 

Por fim, vale destacar que a disponibilidade espacial da biomassa residual da cana acompanha necessariamente a distribuição das usinas de açúcar e álcool. Apesar da crescente valorização do material lignocelulósico da cana, a implementação de canaviais ainda se dá essencialmente pelo interesse na utilização dos açúcares do colmo, tendo o bagaço como um coproduto industrial estratégico. No caso da palha, muito embora seja possível estabelecer uma logística de recolhimento independente da usina, sua disponibilidade ainda é função do calendário de colheita estabelecido pela usina. Dessa forma, o aproveitamento da biomassa residual da cana fica praticamente condicionado a plantas anexas às próprias usinas.

 

1.7. Zoneamento da cana de açúcar

1.7.1. Zoneamento Agroambiental da cana de açúcar no Estado de São Paulo

Em setembro de 2008 foi estabelecido o Zoneamento Agroambiental da cana de açúcar no Estado de São Paulo (ZAA), fruto de uma parceria entre as Secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura e Abastecimento do Estado. Seu principal objetivo é disciplinar e organizar a expansão e ocupação do solo pelo setor sucroenergético, além de subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas para as questões relacionadas ao setor (São Paulo, 2017).

O ZAA apresenta um mapa único (Figura 4) que indica as áreas adequadas e inadequadas para o cultivo de cana, e regula a ocupação das terras, a instalação e ampliação de unidades agroindustriais. O mapa foi criado utilizando bases de dados sobre condições climáticas, qualidade do ar, relevo, solo, disponibilidade e qualidade de águas superficiais e subterrâneas, unidades de conservação existentes e indicadas, incluindo áreas de proteção ambiental e fragmentos florestais para incremento da conectividade.

Foram estabelecidas quatro classes de áreas com diferentes graus de aptidão agroambiental (Tabela 3), concluindo-se que na época do estudo 26% da atividade canavieira era exercida em áreas adequadas, 45% em áreas adequadas com limitações ambientais, 28% em áreas adequadas com restrições ambientais e apenas 1% em áreas inadequadas (São Paulo, 2017).

Fonte: São Paulo (2017)

Figura 4: Zoneamento Agroambiental da cana de açúcar no Estado de São Paulo.

 

Tabela 3: Classes de áreas de aptidão agroambiental de acordo com o ZAA.a

Classificação Descrição Área (Mha)
Áreas adequadas Correspondem ao território com aptidão edafoclimática favorável para o desenvolvimento da cultura da cana de açúcar e sem restrições ambientais específicas. 3,9
Áreas adequadas com limitação ambiental Correspondem ao território com aptidão edafoclimática favorável para cultura da cana de açúcar e incidência de Áreas de Proteção Ambiental (APA); áreas de média prioridade para incremento da conectividade, conforme indicação do Projeto BIOTA-FAPESP; e as bacias hidrográficas consideradas críticas. 8,6
Áreas adequadas com restrições ambientais Correspondem ao território com aptidão edafoclimática favorável para a cultura da cana de açúcar e com incidência de zonas de amortecimento das Unidades de Conservação de Proteção Integral – UCPI; as áreas de alta prioridade para incremento de conectividade indicadas pelo Projeto BIOTA-FAPESP; e áreas de alta vulnerabilidade de águas subterrâneas do Estado de São Paulo, conforme publicação IG-CETESB-DAEE – 1997. 5,6
Áreas inadequadas Correspondem às Unidades de Conservação de Proteção Integral – UCPI Estaduais e Federais; aos fragmentos classificados como de extrema importância biológica para conservação, indicados pelo projeto BIOTA-FAPESP para a criação de Unidades de Conservação de Proteção Integral – UCPI; às Zonas de Vida Silvestre das Áreas de Proteção Ambiental – APAs; às áreas com restrições edafoclimáticas para cultura da cana de açúcar e às áreas com declividade superior a 20%. 6,7
a Fonte: São Paulo (2017), SAA e SMA (2008).

 

1.7.2. Zoneamento Agroecológico da Cana de açúcar

Em 2009 foi concluído o Zoneamento Agroecológico da Cana de açúcar (ZAE Cana) para a produção de etanol e açúcar (Manzatto et al., 2009), desenvolvido sob a coordenação do MAPA em parceria com o MMA. O ZAE Cana tem o intuito de ser um instrumento para a tomada de decisões nos níveis federal e estadual, e para implantação de políticas públicas voltadas para o ordenamento da expansão do cultivo da cana de açúcar para fins industriais.

O estudo avaliou o potencial de áreas para a produção de cana em regime de sequeiro (sem irrigação plena), levando em conta a vulnerabilidade das terras, o risco climático, o potencial de produção agrícola sustentável e a legislação ambiental vigente. Foram excluídas da análise as áreas com declividade superior a 12%, as áreas com cobertura vegetal nativa, os biomas Amazônia e Pantanal, as áreas de proteção ambiental, as terras indígenas, os remanescentes florestais, as dunas, os mangues, as escarpas e afloramentos de rocha, os reflorestamentos e as áreas urbanas e de mineração. Nos Estados da Região Centro-Sul foram também excluídas as áreas cultivadas com cana no ano safra 2007/2008, utilizando-se o mapeamento realizado pelo Projeto CanaSat – INPE.

As áreas indicadas para a expansão compreendem aquelas que estavam em produção agrícola intensiva ou semi-intensiva, lavouras especiais (perenes, anuais) e pastagens.  No caso da aptidão climática, foram selecionadas quatro variáveis para a delimitação das áreas: temperatura média do ar, deficiência hídrica anual, índice de satisfação das necessidades de água (ISNA) e o risco de geada. Já a geração da aptidão pedológica seguiu a metodologia desenvolvida no Zoneamento Agroecológico do Dendê para o norte do país. Para o ZAE Cana, em particular, as características de relevo das unidades de solo não foram consideradas, pois as terras com declividade superior a 12% foram excluídas. O potencial pedológico foi avaliado segundo seis fatores de limitação: deficiência de fertilidade; deficiência de água; excesso de água ou deficiência de oxigênio; suscetibilidade à erosão; impedimentos à mecanização e impedimento ao sistema radicular.

Finalmente, a aptidão edafoclimática resultou do cruzamento das informações de aptidão pedológica com as informações de aptidão climática, conforme indicado na Tabela 4.

Tabela 4: Parâmetros de aptidão edafoclimática utilizados no ZAE Cana.a,b

Aptidão edáfica Aptidão climática
A B C D E
P P R IC ID IE
R R R IC ID IE
M MS ISC IC MS IE
IN IS IS ICIS ICIS ICIS
a Fonte: Manzatto et al. (2009).

b P: Áreas com aptidão agrícola Alta; R: Áreas com aptidão agrícola Média; MS: Áreas com aptidão agrícola Baixa; ISC: Áreas inaptas pela integração entre solo e clima; IC: Áreas inaptas por clima (carência térmica ou alto risco de geada); ID: Áreas inaptas por clima (irrigação intensiva imprescindível); IE: Áreas inaptas por clima (excesso de água com prejuízo para a maturação e colheita); ICIS: Áreas inaptas por clima e solo; IS: Áreas inaptas por solo

 

Considerando os critérios acima, as estimativas do ZAE Cana indicam que o país dispõe de cerca de 64,7 Mha de áreas aptas à expansão do cultivo com cana (Figura 5), sendo que destes, 19,3 Mha foram considerados com alto potencial produtivo, 41,2 Mha como médio e 4,3 Mha de baixo potencial para o cultivo. Somente as áreas aptas à expansão cultivadas com pastagens, em 2002, representavam cerca de 37,2 Mha. Especificamente para o caso do estado de São Paulo, o potencial identificado pelo ZAE Cana foi de mais de 10,6 Mha. Numa comparação simples, as áreas com aptidão para cana identificadas no ZAA somam mais de 18 Mha, sendo que atualmente a cana já ocupa quase 6 Mha.

Fonte: Manzatto et al. (2009)

Figura 12: Zoneamento Agroecológico da cana de açúcar.

 

1.8. Aspectos controversos

[2]

Entre 1975 e 2010 a produção de cana cresceu sete vezes. Apesar de todos os incentivos e subsídios para a produção de etanol no Brasil – que durou até o fim da década de 1990 – estima-se que a produção e uso de etanol de cana no país tenha evitado US$ 100 bilhões da dívida externa. Ademais, no período a cadeia de abastecimento de cana de açúcar experimentou um desenvolvimento intenso, incluindo efeitos colaterais positivos para a indústria de bens de capital (IAEA, 2006).

No passado, a produção de cana na região Centro-Sul, especialmente no estado de São Paulo, caracterizou-se pelo uso de trabalhadores migrantes não qualificados de regiões menos desenvolvidas do país, principalmente na atividade de colheita manual. Alguns autores enfatizam as condições inadequadas relacionadas aos cortadores de cana, incluindo a exploração do trabalho; por outro lado, é importante notar que os trabalhadores do setor canavieiro detêm o segundo melhor salário na agricultura brasileira. Mesmo considerando as duras condições enfrentadas pelos cortadores manuais, algumas evoluções nos aspectos trabalhistas – como salários e nível educacional –ocorreram desde 1975, explicadas principalmente pelo aumento da colheita mecânica nos últimos anos. Na verdade, o aumento da cana colhida mecanicamente tem reduzido a necessidade de cortadores de cana, exigindo, ao mesmo tempo, trabalhadores mais qualificados e escolarizados. Houve ainda um aumento na formalização de empregos na produção de cana. No estado de São Paulo, a participação dos empregos formais chegou a 94,5% em 2008 (Moraes, 2010), e atualmente é ainda maior.

Questões ambientais estão entre os fatores que estimularam o avanço da mecanização da colheita, além de questões agrícolas e econômicas. O abandono da queimada também favorece a já reconhecida capacidade de mitigação de emissões de GEE do etanol, embora muito se questione sobre a consequência ambiental da mudança do uso da terra decorrente da expansão de cana. Para a expansão ocorrida no período 2002-2008, entretanto, a indicação é de que a mudança do uso da terra tenha atuado como um sumidouro de carbono no Brasil, que ainda poderia ser sustentado no futuro, uma vez que os cenários de expansão preveem o uso progressivo de pastagens (muitos com níveis relativamente baixos de estoques de carbono). Já com relação à mudança indireta do uso da terra, estudos específicos para condições brasileiras indicam que o efeito seria pequeno. Isso se deve a um conjunto de fatores, tais como a expectativa de expansão sobre áreas de pastagem concomitante à intensificação da pecuária, o grande estoque de terras disponíveis e a melhoria contínua da produtividade de diferentes culturas (Nassar et al., 2009).

A mudança do uso da terra também é um fator chave para mudanças no valor da biodiversidade devido a seus efeitos no habitat. A magnitude dos impactos ecológicos da perda de habitat pode ser exacerbada pela fragmentação espacial do habitat remanescente quando as espécies sobreviventes são confrontadas com um ambiente modificado e área reduzida, maior isolamento e novas fronteiras ecológicas. No Brasil, o impacto da produção de cana de açúcar em larga escala sobre a biodiversidade é uma questão relativamente nova, e essa característica é refletida pelo número limitado de estudos detalhados disponíveis até o momento. No entanto, um argumento comum é que os impactos diretos sobre a biodiversidade pela cultura da cana foram limitados, uma vez que a maior parte das plantações está em áreas anteriormente utilizadas para a pecuária extensiva e culturas anuais (Smeets et al., 2006). Essas terras agrícolas também estão longe de importantes biomas, como a Amazônia e o Pantanal.

Outra preocupação associada ao uso da terra é o potencial efeito sobre a oferta de alimentos. Entretanto, nas últimas três décadas o aumento da produção de cana no país ocorreu paralelamente a um grande crescimento na produção de alimentos. Novamente, a grande disponibilidade de terras para expansão agrícola, bem como a tendência de intensificação da pecuária, sugere que a potencial expansão de cana não causará impactos negativos na produção de alimentos no Brasil, mesmo considerando uma grande expansão no médio prazo.

Por fim, muito se questiona sobre o potencial efeito da cana sobre os recursos hídricos. O déficit hídrico é de fato um dos principais fatores que limitam a produção de cana, especialmente em áreas onde há um período seco prolongado, como nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. No Brasil, a cana é amplamente cultivada em condições de sequeiro, mas em algumas das regiões de expansão no Cerrado normalmente é necessária a irrigação de salvamento. Neste tipo de irrigação, realizada normalmente após o plantio ou época de colheita, normalmente são utilizadas águas residuais e vinhaça do processo industrial de etanol. No entanto, em certas regiões a irrigação suplementar com diferentes lâminas nos estágios mais críticos do desenvolvimento é necessária. Além do aumento de produtividade, a irrigação fornece outros benefícios, como a longevidade da cultura (Silva et al., 2008). Por outro lado, impactos sobre os recursos de água doce podem surgir em regiões específicas sob condições mais críticas.

 

1.9. Organizações relevantes

 

  • União da Indústria da Cana de açúcar (Unica): maior organização representativa do setor de açúcar e bioetanol do Brasil. Telefone: +55 (11) 3093 4949. Website: http://www.unica.com.br/
  • União dos Produtores de Bioenergia (Udop): entidade voltada para a prestação de serviços, nas áreas de capacitação profissional, informação e representação. Telefone: +55 (18) 2103 0528. Website: www.udop.com.br
  • Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana): organização representativa de produtores junto a cooperativas, usinas, centros de pesquisa, CONSECANA e outros atores. Telefone: +55 (16) 3603 2800. Website: http://site.orplana.com.br/
  • Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa): rede de universidades dedicada ao melhoramento genético da cana de açúcar. Desenvolvedora das variedades de cana RB. Telefone: +55 (19) 3543-2612. Website: https://www.ridesa.com.br/
  • Instituto Agronômico (IAC): instituto de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com sede em Campinas. Desenvolvedor das variedades de cana IAC. Telefone: +55 (19) 2137 0600. Website: http://www.iac.sp.gov.br/
  • Centro de Tecnologia Canavieira (CTC): antigo Centro de Tecnologia da Copersucar. Mais tradicional centro de tecnologia do país dedicado à cana de açúcar. Desenvolvedor das variedades de cana SP. Telefone: +55 (19) 3429 8199. Website: http://new.ctc.com.br/
  • Laboratório Nacional de Tecnologia do Bioetanol (CTBE): centro voltado à pesquisa e inovação na área de biomassa para energia, em especial etanol de cana de açúcar. Telefone: +55 (19) 3512 1010. Website: http://ctbe.cnpem.br/

2.  Referências bibliográficas

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[1] É um dos três mecanismos bioquímicos, juntamente com os ciclos C3 e CAM, utilizado para fazer a fixação do carbono. No ciclo C4, o primeiro produto detectável da fixação do carbono é uma molécula com quatro carbonos, o oxaloacetato.

[2] Baseado majoritariamente em Walter et al. (2014).